19 de maio de 2022
Vamos falar de poder? O poder dos cabelos!

Vamos falar de poder? O poder dos cabelos!

Cleópatra (Wikimedia Commons), Portrait of a Gentleman (Wikimedia Commons), Vintage Hair Straightening Ads from 1958-1969, Audrey Hepburn – www.etsy.com/, Jacqueline Kennedy – photo Walter Sanders, Black Power – Aartedecor

Cabelo é um símbolo de poder, desde Cleópatra que algumas vezes raspou o seu para se livrar da infestação de piolhos, mas usava perucas. Ou quanto você daria para estar perto da Rainha do Nilo e constatar sua beleza conservada às custas de muitos banhos de leite de cabra. 

Seguindo um pouco adiante, no século 16, analisamos a nobreza na Europa com suas perucas extravagantes. Já naquela época havia uma luta para ocultar a calvície, a epidemia de sífilis em um tempo em que os antibióticos não faziam parte dos medicamentos disponíveis. Talvez seja o tempo da terra plana. 

Os doentes pobres e ricos sofriam com os sintomas que até hoje – quando não tratados –  incluem erupções e lesões na pele, cegueira, demência, paralisia e… perda de cabelo. Os ricos carecas, com sífilis, com piolhos ou apenas por vaidade ostentavam suas perucas e quanto maiores, mais status, mais poder. 

Do século 16, 17 passamos para o século 20. Lembramos de Audrey Hepburn no filme Bonequinha de Luxo e o coque alto, moda na época, assim como os cabelos elevados na parte superior da cabeça de Jackie O. O poder da sedução que voltou a ficar na moda recentemente.

Ainda na segunda parte do século passado o poder estava no cabelo liso. Sim e valia de tudo para transformar e maltratar a beleza de um cabelo crespo em liso. Horror!

A beleza do cabelo está em fazer dele o que a gente quiser. Se é crespo, faça tranças, deixe-o natural. Se é preto tinja-os de azul, de loiro.

Outro dia ouvi um comentário: “não que eu seja contra os cabelos Black Power, mas eles atrapalham a visão em teatros, cinemas .” 

Atrapalha o quê? Negros foram cerceados de sua cultura ao longo de séculos. Foram impedidos de usar seus belos cabelos e símbolos de força e poder como qualquer outro cabelo nas mais diversas culturas. 

A música do filme/musical Hair (que não é Aquarius) fala um pouco dessa liberdade. 

My hair, 

Flow it, show it

Long as God can grow it

My hair

E vamos combinar que você teria o maior prazer em ver a visão do seu filme atrapalhada por alguma das cabeças famosas citadas nesse artigo. 

Que os responsáveis pelas casas de espetáculo repensem a logística e distribuição das poltronas de forma a respeitar também os mais altos, os mais gordos, os com dificuldade de movimento.

Só sei que amo muitas das cabeleiras criativas e até as cabeças sem cabelo. Cada um, cada um!

Escrito por
Bel Estrella