26 de maio de 2022
Tanto riso, oh quanta alegria…

Tanto riso, oh quanta alegria…

Viva Zé Keti! Nas comemorações de seu centenário, a “voz do morro” ainda ecoa e segue viva por aí.

Novembro é o mês da consciência negra. Esse mês foi escolhido para homenagear um dos heróis negros do Brasil: Francisco, que entrou para a história como Zumbi e que foi assassinado em 1695. O Brasil não pode esquecer das suas lutas, as principais envolvendo índios e negros. História. Por isso, estamos relembrando as pessoas que marcaram seu tempo entre nós. Não foram poucas, em todas as áreas do cotidiano.

Na música, tivemos Zé Keti, por exemplo.

José Flores de Jesus assim batizado, foi um compositor de marchas e sambas. Nasceu em 1921. Há cem anos, portanto.

O apelido ganhou quando criança, por ser tímido, quieto. 

Daí Zé quieto, quieto virou Zé Keti.

Nascido no Rio de Janeiro, oriundo de família humilde, Zé Keti cantou a miséria e a alegria dos morros cariocas. 

Era bonachão, alegre. Uma pessoa ótima. Ingênua podia-se dizer.

Entre suas obras estão títulos clássicos como A voz do morro, eternizada por Elis Regina e Jair Rodrigues.

O dia que Zé Keti chorou

Eu conheci Zé de perto.

Um dia, conversa vai, conversa vem, perguntei-lhe sobre suas músicas.

Desse assunto, ele gostava.

E foi falando, falando. 

Lembrou do início da sua carreira, na ala de compositores da Portela, sua escola de coração.

Lá pras tantas, eu falei do seu talento. Falei dos seus clássicos, entre os quais a marcha rancho Máscara Negra. “Essa música eu compus com meu amigo Pereira Matos. A primeira gravação, um compacto simples da Rozenblit, uma gravadora de Recife, já extinta”.

E foi aí que perguntei se gostaria de ouvir uma versão de Máscara Negra em inglês.

Pego de surpresa, disse que não conhecia. Fui ao acervo de onde tirei o disco, um compacto simples com a gravação deste grande clássico do Carnaval.  

Uma vez, duas vezes para tocar. 

Primeiro, veio o silêncio, depois o choro. 

Primeiro a emoção e depois de desencanto pelas editoras musicais, que não costumavam informar a seus artistas sobre eventuais gravações estrangeiras. E faziam isso, para não repassar dividendos referentes a direitos autorais. 

Zé Keti morreu pobre.

Lançada em 1967, Máscara Negra foi o maior sucesso do nosso Carnaval. 

Confira a letra de Máscara Negra:

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
No meio da multidão
No meio da multidão

Compositores: Zé Kéti / Pereira Mattos

Escrito por
Assis Angelo