25 de maio de 2022
Será Simone Tebet a nossa Kamala Harris?

Será Simone Tebet a nossa Kamala Harris?

Será Simone Tebet a nossa Kamala Harris?

Imagens: Divulgação

Elegante, em um bonito vestido azul escuro, Simone Tebet fez um discurso de improviso, mas muito bem articulado, no lançamento de sua pré-candidatura a presidente pelo MDB, na semana passada.

Dona de uma oratória invejável para os padrões de hoje e usando um português correto, sem nenhum escorregão, deixou claro a que veio: ser a opção para a terceira via no ano que vem. 

Como educada que é, não falou em corda na casa de enforcado, ou seja, não citou o verbete corrupção na festa emedebista em um hotel de Brasília; preferiu salientar que é do MDB de Ulisses Guimarães, Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, “o partido das lutas democráticas”.  

Assim como Joe Biden escolheu uma candidata mais à esquerda para unir os democratas e consolidar sua candidatura dos EUA, é consenso nos meios políticos, pelo menos por enquanto, que o MDB lançou Simone para ser vice de um dos candidatos favoritos. 

Nesse quesito, Simone leva, inclusive, vantagem sobre a vice norte-americana. Ela pode arrebanhar (expressão bem apropriada atualmente) votos não apenas da esquerda menos radical, mas também da maioria silenciosa do centro e até da direita civilizada.  

De quem ela poderá ser vice só se saberá nos primeiros meses de 2022, quando despontar na frente das enquetes um dos vários pretendentes a furar a bolha do bolsopetismo, como diz a jovem deputada Tábata Amaral

Em busca dos dois dígitos

Até abril do ano que vem, entretando, se ela atingir pelo menos os dois dígitos da pesquisa eleitoral, seu partido pode até mudar de ideia e considerar seriamente a possibilidade de tentar elegê-la como cabeça de chapa. 

Simone, no fundo, sonha com isso. E tem vários motivos para pensar grande. O primeiro deles é o próprio MDB, partido que tem sete mil vereadores, 800 prefeitos e diretórios nos mais distantes rincões do Brasil. 

Ela oferece ao partido sua biografia, uma plataforma eleitoral bem intencionada e, principalmente, os altos índices de rejeição de seus concorrentes diretos, João Dória e Sergio Moro, cuja taxa de mal querência, em pesquisas recentes, chega a cerca de 60%

Com 51 anos de idade, a trajetória política de Simone é extensa. Começa com “as conversas que ouvia atrás da porta” nas reuniões de seu pai, Ramez Tebet, tradicional político sul-matogrossense do MDB, de quem seguiu os passos, sendo deputada estadual e federal, prefeita de sua cidade Três Lagoas, vice-governadora e senadora. 

Formada em Direito, professora universitária, sobressaiu-se no Congresso pelo seu conhecimento acadêmico, tornando-se líder da bancada feminina. Ficou conhecida do grande público por suas cirúrgicas participações no impeachment de Dilma Roussef e, recentemente, na CPI da Pandemia, na qual foi uma das protagonistas. 

Agora, precisa conquistar as massas. Sua plataforma eleitoral não foge muito do convencional, dando ênfase obviamente à luta contra a polarização, colocando-se como a líder do diálogo, combatendo a miséria e investindo na educação. 

Em seu discurso, adiantou que seu estado não será mínimo nem máximo, coerente com sua aposta na coluna do meio; declarou bem alto e em bom som ao tal do mercado: economicamente é liberal. 

Se cair na graça dos donos da grana que erguem e destróem candidaturas, com um bom marqueteiro, um especialista em redes sociais e algoritmos, e seu amplo horário gratuito, pode conquistar corações e mentes da base peemedebista e o eleitorado em geral. É difícil, mas não impossível.

Simone sabe sabe que há tempo de plantar e tempo de colher. É provável que ela esteja, realmente, como se comenta, plantando agora tacitamente uma candidatura a vice para colher uma a presidente lá na frente, no mandato seguinte, ou posterior. Tem tempo para esperar. 

No entanto, o futuro a Deus pertence. Afinal, desde criancinha ela ouve a famosa frase de Magalhães Pinto, de que a política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito; você olha de novo e ela já mudou.

https://prensa.li/jornalistasonline/sera-simone-tebet-a-nossa-kamala-harris/

Escrito por
José Luiz Teixeira