20 de maio de 2022
O Brasil e a devastação da Floresta Amazônica

O Brasil e a devastação da Floresta Amazônica

Crédito: Unplash: Johannes Plenio

O país reduziu os rios aéreos que carregam a umidade.

A chuva demora a cair, cai pouco quebrando safras ou em forma de enchente, devastando cidades e arrasando plantações.

A mudança climática é uma realidade.

Existe uma faixa de desertos no Hemisfério Sul do planeta, próxima ao Trópico de Capricórnio, que atravessa vários países continentais, como os desertos australianos de Great Sandy, Gibson e Great Victoria. Na África o deserto da Namíbia e do Kalahari e na América do Sul, o Atacama. Esses desertos estão alinhados em latitude as regiões de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Então porque essas regiões do Brasil e da América do Sul mantêm solos férteis e chuva em quantidade para manter a vida?

Cientistas russos descobriram que mais de 60% do transporte de umidade para algumas áreas do planeta é realizado pela ação direta da floresta amazônica. Com isto, a vegetação acabaria sendo um dos componentes na formação, inclusive, de ventos alísios que sopram de leste para oeste e distribuem a umidade de maneira transcontinental.

No Brasil a distribuição da umidade é feita por rios voadores, vindos da Amazônia. Colunas de vapor d’água formadas pela floresta evitaram a desertificação da América do Sul. 

Mas estamos trabalhando fortemente para criar um deserto no sudeste-sul do país.

Um Governo que devastou quase 15 mil quilômetros quadrados, o equivalente a 7.140 campos de futebol, desde que assumiu o poder, chegou a COP 26 em Glasgow, com dados manipulados. 

Acusado de dar uma pedalada ambiental ao apresentar dados de apenas um mês, o Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, prometeu na conferência deste ano, 2021, o que o Brasil tinha prometido em 2015: zerar o desmatamento até 2030. Passamos pelo ridículo. Passamos por mentirosos. Mais uma vez, somos piada diante do mundo. Cada brasileiro deve usar agora um nariz de palhaço. Molecagem de Moloc, o demônio Amonita de Canaã.

Descendo do púlpito

Para quem se arroga em estar fazendo o trabalho de Deus salvando o país do comunismo, Bolsonaro tem agradado ao Diabo. Afinal não é papel de Lúcifer destruir a obra de Deus?  E a natureza não é obra de Deus?

A promessa do Ministro do Meio Ambiente para inglês ver, não convenceu a Inglaterra a liberar recursos suspensos no primeiro ano do Governo Bolsonaro, quando o liberou geral consumiu nossos biomas.

A Alemanha também avisou que o Brasil não verá nem mais um centavo até que programas efetivos de preservação do meio ambiente estejam a todo o vapor, liderados por pessoas que realmente entendem do assunto, e a Noruega, seguiu os parceiros europeus. Nada do 133 milhões de reais que repassava ao Brasil, para o Fundo de Preservação Ambiental. 

Afinal, nada preservamos.

Na realidade, na COP 26, nenhum dos grandes objetivos parece ter sido atingido e quem diz isso são os responsáveis do Programa da ONU para o Meio Ambiente.

Niklas Höhne, do Instituto New Climate, afirmou que mesmo que se cumpram as promessas feitas neste ano, as emissões de gases do efeito estufa precisam ser cortadas pela metade até 2030 para impedir o aquecimento global em 1,5 grau Celsius. 

Mas no ritmo atual as temperaturas vão atingir 3 graus Celsius no final do século, mesmo que se cumpram as metas estabelecidas pelos acordos de controle climático. 

Inferno, um lugar refrescante 

Lá fora, o ministro do Tuvalu discursou com os pés dentro da água em um alerta sobre o desaparecimento de seu país com a elevação dos mares, devido ao aquecimento global.

Já não se trata mais de um alerta. É uma promessa. O planeta está mais quente e vai esquentar cada vez mais. Em 2100 imagine-se na cozinha do inferno, fazendo sopa. 

Será assim, 24 horas por dia. Não estará vivo? Espero que nem seus filhos ou qualquer de seus descendentes.  

Agimos como hedonistas. Uma promessa por parte das nações mais ricas de investir de 50 bilhões de dólares para ajudar os países em desenvolvimento a adaptar-se ao equilíbrio entre crescimento econômico e desafios climáticos parece piada.  

Com a pandemia e os problemas econômicos gerados por ela somados aos já existentes, fazem dessa promessa exatamente o que ela é: promessa.

Mais de 100 países prometeram reduzir as emissões de metano em 30% até 2030, em comparação com 2020. A União Europeia assumiu o compromisso. Promessas.

No caso do Brasil, o desenvolvimento econômico deve ser pautado por investimentos em inovação tecnológica. Incentivos ao biodiesel e álcool, energia solar, eólica. Uso das marés para gerar energia elétrica.

Há uma oportunidade, que o país deixou passar em 1992, de mudar a matriz energética que não está totalmente consolidada como nos países desenvolvidos. Não é tão caro mudar aos poucos. Temos tempo ainda para proteger o meio ambiente e para criar uma nova economia, sobretudo no agronegócio.

É preciso investir pesado em pesquisas, criar patentes, eliminar a dependência externa, como a do fosfato, hoje em 72 por cento. Isso para um país agrícola chega a ser burrice.  

É mais que urgente combater o desmatamento ilegal que traz prejuízos a imagem do país e nos retira mercado consumidor e dinheiro. Combater o desmatamento ilegal é o investimento mais barato que botar fogo em tudo para limpar o terreno e plantar soja. 

Segundo a Sociedade Rural Brasileira, em 2019, no auge dos incêndios na Amazônia, a área ocupada pela agropecuária até aquele ano era de 30% do território brasileiro. Mas com os ganhos de produtividade recorde graças à tecnologia, leia-se EMBRAPA, a direção da entidade afirmava que havia condições de produzir mais que o dobro do que já se produzia na mesma área. 

Como em 1992, o Brasil e sobretudo a agropecuária brasileira poderia sair a frente do resto do mundo e as vantagens competitivas sobre as metas que foram determinadas pela COP 26. 

Mas isso depende de tantas coisas. 

Depende de nós?

Depende também do ano que vem, quando vamos escolher quem vai governar nosso país. Das forças que apoiam os candidatos. Algumas com um pé em cada barco. Outras acostumadas a ficar no barco fazendo água, tirando tudo o que podem antes de abandonar o navio. Para mais tarde serem “resgatados” pelo vencedor.

Nós não temos para onde pular. E ainda assim o único movimento que fazemos quando estamos deitados no sofá é o de virar para o lado e contribuir para o aquecimento global. Outro que se mexa. 

Estamos diante de um dilema. Decidir pelo ruim ou pelo pior. 

A floresta continuará queimando. As nascentes continuarão a ser envenenadas, o ar mais poluído, e as temperaturas continuarão subindo.

Em última análise os culpados somos nós. 

Que não nos solidarizamos com o massacre da população indígena. 

Que assistimos a ocupação de suas terras. 

Que nos irritamos quando invadem a cidade para protestar e piorar o trânsito que já é caótico sem ajuda. 

E assistimos tudo pela TV, consumindo e engordando como se vivêssemos em outro planeta. 

Então vai votar no tá ruim ou no tá pior?

Escrito por
Achiles Pantazopoulos