22 de maio de 2022
Maestro Júlio Medaglia, do popular ao erudito

Maestro Júlio Medaglia, do popular ao erudito

Maestro Júlio Medaglia, do popular ao erudito

Imagem: Assis Ângelo e os discos do maestro – Acervo pessoal

Júlio Medaglia, maestro, é um cara que fácil, fácil faz amizade. E vice e versa. Impossível não gostar dele, por sua simplicidade e talento.
De música esse cara sabe tudo e muito mais.


Da safra de 1938, é paulistano da gema.
Nascido ali ao lado do Palmeiras ganhou, quando menino, o apelido de Periquito.
O Palmeiras, não poderia ser diferente, é o seu time de coração.
De família simples e humilde, a sensibilidade desse Júlio muito cedo veio à tona, iluminando a todos que por perto circulavam.


Na infância costumava ouvir música, ao lado da mãe. A música que mãe e filho ouviam vinha do rádio. Coisa fina. E não demorou, o menino foi crescendo, crescendo até que se transformou num grande compositor e maestro, com formação na Bahia e na Alemanha.

Capa do disco Tropicalismo


Na Bahia, ele fez amizade com muita gente boa.
Da Bahia vieram Caetano, Gil, Tom Zé e tal, tropicalistas.
Júlio Medaglia foi um dos grandes nomes do Tropicalismo, arranjador de Tropicália e tal.

O tempo passando e Júlio cada vez mais se firmando no panorama da música popular e da música erudita, regendo inclusive orquestras mundo afora e escrevendo livros como Música, Maestro!; Música Impopular e Por Trás da Pauta.

Capa dos livros de Júlio Medaglia.

Há uns 15 anos, Júlio criou e apresenta o belíssimo programa Prelúdio, que tem por finalidade descobrir talentos da música erudita no Brasil. Além disso, diariamente, Júlio apresenta o programa Fim de Tarde, pela rádio Cultura FM.

Já escrevi muito a seu respeito. BATE-PAPO COM MEDAGLIA, NA TRIANON
Eu conheci esse maestro em fins do século passado. Meu primeiro encontro com ele foi no balcão de um bar do conjunto nacional, ali na paulista, ao tempo em que eu frequentava a livraria cultura nas tardes de sábado junto com os amigos José Nêumanne, Arnaldo Xavier e Marcos Rey, autor de muitos livros, entre os quais Memórias de um Gigolô e o Enterro da Cafetina.

Foi naquela ocasião que o maestro me contou ter regido a orquestra Cordas de São Paulo e o coro Vozes de São Paulo, na execução da obra do português André da Silva Gomes (1752-1844), mestre de capela da Sé. Tratava-se de uma Missa a 8 vozes e instrumentos, descoberta e restaurada por Régis Duprat.
O disco, um LP, que contém essa obra, foi lançado em 1970.

E por que ele me contou essa história, hein?
Ele me contou essa história porque eu estava às voltas com uma pesquisa sobre músicas compostas especialmente para a cidade de São Paulo. Essa pesquisa dei por concluída em 2010, por ali, quando eu já reunira quase 3.000 títulos e me preparava para fazer uma grande exposição na unidade Sesc Santana. Tá ou não tá na hora de falarmos mais dos grandes artistas e da nossa cidade? Vamos nessa?

https://prensa.li/@assis.angelo/maestro-julio-medaglia-do-popular-ao-erudito/

Escrito por
Assis Angelo