20 de maio de 2022
Lula e Alckmin – Uma ‘geringonça tropical’ ou uma ‘caipirinha de chuchu’

Lula e Alckmin – Uma ‘geringonça tropical’ ou uma ‘caipirinha de chuchu’

Lula e Alckmin - Uma ‘geringonça tropical’ ou uma ‘caipirinha de chuchu’

Ricardo Stuckert/Facebook

A única chance de Alckmin chegar ao Planalto é na garupa de Lula 

Alguns a estão chamando de “geringonça brasileira”; outros, mais jocosamente, de “caipirinha de chuchu”. 

O fato é que a chapa Lula para presidente e Geraldo Alckmin para vice deixou de ser um balão de ensaio para se tornar uma possibilidade real, principalmente depois do jantar do qual participaram, em São Paulo, no último domingo. 

A pergunta que surge, entretanto, é a seguinte: o que leva o ex-governador paulista a, como se diz em Pindamonhangaba, sua terra natal, a trocar o certo pelo duvidoso?

Como confirmam as mais recentes pesquisas, sua eleição para o Governo do Estado, nas próximas eleições, está praticamente garantida.  

Segundo o último DataFolha, Alckmin lidera com 28% as intenções de voto, seguido por Fernando Haddad (19%), Márcio França (13%) e Guilherme Boulos (10%). 

Considerando que se concorresse ao Palácio Bandeirantes, Márcio França (seu aliado) não participaria da disputa para o mesmo cargo, o ex-governador teria chances de liquidar a fatura já no primeiro turno. 

Por que, então, essa inesperada opção? 

A resposta pode estar no fato de que mais uma vez o destino oferece a Alckmin a oportunidade de começar como vice para se tornar, em seguida, o titular da cadeira em disputa. 

Como o cavalo de Lula, também de acordo com as pesquisas, segue em marcha batida com destino a Brasília, ao pular em sua garupa Alckmin provavelmente terá a segunda grande oportunidade de sua vida.  

A primeira foi quando se elegeu vice-governador na chapa de Mário Covas, em 1994. Depois que assumiu o cargo em 2001, com a morte do titular, foi eleito três vezes para a chefia do Executivo do Estado de São Paulo. 

Beneficiário da herança politico-eleitoral de Covas, foi eleito governador em 2002, 2010 e 2014, sempre no primeiro turno. 

Ficou provado em eleições anteriores, entretanto, que sozinho é muito difícil para ele chegar ao Palácio do Planalto.  

Em 2006, foi ao segundo turno, mas perdeu para Lula; em 2018, o fracasso foi retumbante: Geraldo (como o rebatizaram na época) protagonizou o pior desempenho dos tucanos em eleições presidenciais, ficando em quarto lugar com apernas cinco por cento dos votos. 

Alckmin é craque mesmo em arrebanhar (epa!) votos do interior paulista. Mas só. Nem na capital do Estado conseguiu se eleger prefeito, quando concorreu ao cargo duas vezes, em 2000 2008.  

Obviamente que Geraldo Alckmin, religioso que é, sabe que não se deve pecar nem por pensamento. Ele não deseja a morte de Lula (E que fique bem claro, nem este cronista…toc, toc, toc).  

Ricardo Stuckert/Facebook

O raio, entretanto, pode cair duas vezes no mesmo lugar, pois se eleito, ao final de seu mandato, Lula terá 81 anos, enquanto o ex-governador terá apenas 74.  

Não é difícil que aos 81 anos o petista não tenha mais disposição de concorrer a outro mandato, enquanto o ex-tucano ainda terá pique para mais dois pleitos.  

Mesmo que não ocorra por uma solução natural, ou seja, a idade avançada de Lula, talvez esse acordo contemple a possibilidade dele apoiar seu eventual vice para sua sucessão – seja no fim do primeiro ou do segundo mandato.  

Se fizer um bom governo, Lula recupera seu poder de eleger novamente até um poste. Neste caso, até um picolé de chuchu.

https://prensa.li/jornalistasonline/lula-e-alckmin-uma-geringonca-tropical-ou-uma-caipirinha-de-chuchu/

Escrito por
José Luiz Teixeira