19 de maio de 2022
Faustão – Entretenimento no estilo Shopping Center

Faustão – Entretenimento no estilo Shopping Center

Faustão – Entretenimento no estilo Shopping Center

Imagem: Reprodução/Band

Na minha convivência com o glorioso e inoxidável apresentador Fausto Silva várias vezes ouvi sua definição muito pessoal sobre programa para a família. Segundo ele tem que ser um supermercado, um shopping center do entretenimento: “Você convive ao mesmo tempo com a vovó, a sobrinha, a tia, o chefe de família, a amiga, a vizinha são muitos públicos diferentes num mesmo espaço e tempo. E precisa agradar todas as idades, todas as faixas etárias e todas as preferências. Uma tarefa espinhosa”.

Segundo Faustão, é preciso lançar mão das prateleiras de ideias e quadros, com produtos que agradem a todo mundo.

Você pega numa prateleira uma pitada de musical, atrás tem a lubrificação do humor, mais acima um pouco de emoção, memórias afetivas a granel, bons sentimentos, drama, tensão, alívio, curiosidades. E é assim que a gente começa a entender sua fórmula que segue viva na nova proposta que ele está levando para a Band.

Em seu “avant-premiere”, lá na madrugada do dia 01 de janeiro de 2022 ele fazia questão de afirmar que não veio para a Band para fazer apenas mais um programa. Mas sim uma programação inteira. Uma grade completa. Uma opção para o telespectador.

E aqui vamos entender que a frequência de segunda a sexta–feira das 20h30 às 22h30 o obriga a produzir sem vacilar dez horas por semana.

Disposição, competência e experiência

Imagem: Divulgação/Band

Muita gente ficou confusa ao ver os primeiros programas, em dia de semana, e não foram poucos os que acharam que tinham errado de emissora. Não, não era o Domingão na sua segunda, terça, quarta-feira…

Lá estava a marca d’água da Band e o DNA da emissora paulista para todo mundo ver. Na verdade, Faustão estava de casa nova, a mesma que o lançou em 1980 com seu “Perdidos na Noite” que ele costumeiramente citava saudosamente na Globo.

E lá estão as bailarinas, o público, e até os animadores performáticos, como a empregada doméstica “Mary Lo Jackson” que faz cover de Michael Jackson e que hoje até dá autógrafos de tão famosa que ficou.

Quem estava esperando algo completamente revolucionário, caiu do cavalo. A ideia não é romper paradigmas, mas dar uma opção de entretenimento a um público que já gostava de seu estilo e jeito, e subitamente se viu órfão.

Lá estão quadros consagrados como as “Cassetadas”, o velho e bom “Arquivo Confidencial”, a Pizza, musicais com artistas famosos e a irreverência de sempre.

Claro que o elenco da Band é menor, o que faz a produção trabalhar o dobro. Mas isso é um capítulo que não chega até o telespectador.

A novidade da vez é na apresentação, pois o palco está tridividido: Faustão no meio. Do seu lado direito, a telejornalista Anne Lottermann, recém importada da Globo. Do seu lado esquerdo, o próprio herdeiro, João Guilherme Silva, pronto para encarar a missão, sem pestanejar.

Imagem: Reprodução/Band

A brincadeira da vez é que o filho veio junto porque a Band é a “emissora da família”, então nada mais natural que trazer João para o batente para ajudar a pagar os boletos.

Na verdade, na equipe ainda estão Luciana Cardoso, a esposa, mãe de Joao Guilherme que atua como diretora de criação e a irmã Leonor Correa, diretora de primeiro mundo, que passou pelo programa nos seus primórdios. E na retaguarda, uma equipe fiel que o acompanha há mais de 20 anos.

TV Aberta

É preciso compreender que o projeto aposta no público tradicional da TV aberta, ou seja aquele que não tem Tv à cabo, nem canais pagos, nem streaming e nem dinheiro para mais nada a não ser ligar a TV da sala, aquela paga no carnê em 24 prestações, e se divertir. E por duas horas esquecer o pesado bate-bate da vida lá fora.

Em reuniões internas é comum ver o quanto o apresentador conhece a fundo seu público-alvo: “O brasileiro está no apogeu do barro”, dispara ele.

“Entre o pé e o lodo está uma sandália havaiana, presa por um prego. O cidadão tem que trabalhar, levar comida pra casa, os filhos nem podem ir à praia, cinema ou brincar como qualquer outra criança normal porque estão nos cruzamentos, vendendo bala. A mulher está fazendo comida para fora e só lhes resta ligar a TV e dar umas risadas, cantar com a boa música popular, rir das videocassetadas. Tudo bem simples. Tudo isso sem se sujar na lama do chão do ambiente.“(sic)

Isso explica também porque as videocassetadas são editadas de forma repetida. “Na primeira vez o público assiste, na segunda ele entende, reforça e pega no tranco e aí consegue rir”.

“Este povo tem uma vida muito sofrida, muito complexa, não é de rir à toa. Mas é tarefa nossa levar alegria pra essa gente.”, confessa.

O programa dá segurança a estas. O público o reconhece, confia nele.

Os patrocinadores também. Ele é o queridão de pelo menos 20 marcas que o acompanharam em fila para a nova jornada. E negocia com cada uma pessoalmente. Ele pega a pastinha e vai na empresa, na casa do dono, onde for. E assim tornou-se o maior fenômeno de transição da atual TV brasileira.

A gente pode não gostar, não concordar com o estilo, mas é fato consumado.

A ideia de fazer faixas temáticas diárias também atende aos antigos quesitos de grade de programação dos tempos de José Bonifácio Sobrinho. Uma regra que aos poucos foi sendo esquecida pela televisão aberta, tentando copiar modelos a cabo e ou plataformas mais sofisticadas e alienígenas.

São cinco programas semanais. Cinco vezes o esforço de uma semana inteira pra fazer um dominical. Mesmo gravados, ainda tem que editar os programas, pós finalizar e empacotar para exibição. Uma tarefa insana.

No próximo artigo, saiba mais sobre a programação do Faustão na Band, no melhor estilo shopping center.

https://prensa.li/jornalistasonline/faustao-entretenimento-estilo-shopping-center/

Escrito por
Carlos Kober