20 de maio de 2022
De Estocolmo a Glasgow

De Estocolmo a Glasgow

Muita conversa, marketing e pouca ação.

Facebook: Planeta Terra

A Conferência ficou no meio do caminho. Novamente muitas ideias, “boa vontade”, e promessas. Uma fórmula constante desde o início dessa discussão. É assim desde 1972. Mas foi só em 1992, durante a ECO no Rio de Janeiro que a pressão mundial começou forte, mas não o suficiente para fazer com que os países desenvolvidos economicamente, abandonassem seu pós -colonialismo.

No fundo essa discussão representa a tentativa de países que ainda não se desenvolveram mas que detém recursos naturais, de voltarem a ter domínio sobre sua riqueza. No fundo tudo não passa de luta por liberdade, econômica e autodeterminação, contra o dinheiro. 

O dinheiro que compra até amor verdadeiro. 

Esse pós-neocolonialismo praticamente não usa a força bruta. 

Ele compra de forma barata a miséria de populações em todo o mundo.

A preocupação agora é: como fazer para manter esse domínio e garantir esses recursos antes de que tudo se torne tão escasso que será preciso realmente tomar esses recursos. 

A forma como escolhemos explorar o planeta vai, fatalmente, nos levar à miséria ambiental. É essa a discussão. Quando se levantou esse ponto no Rio de Janeiro durante a ECO 92, preferiu-se dar força a palavras como: reciclagem, aterro sanitário negativo, dessalinização da água, produção de energia verde. 

Mas falar sobre mudar o sistema econômico, produção, redução do consumo, controle populacional e investimento pesado em educação, ficou ao largo da Conferência.

A ECO-92, foi o resultado da Conferência de Estocolmo. Um dos primeiros passos para alertar o mundo sobre a degradação ambiental realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972. 

Em Estocolmo mais de 400 instituições governamentais e não governamentais e 113 países, participaram de discussões sobre limitação dos recursos naturais, degradação das florestas e a produção diária de lixo. Percebeu-se que era necessário pressionar os países industrializados a reduzirem as emissões de poluentes e compensar os países em desenvolvimento para preservarem a cobertura florestal, foi um marco. 

E ficou por isso mesmo. Tudo restrito a Ongs, e povos da floresta que continuaram a ver seu território diminuir e seus recursos naturais explorados, além de verem sua cultura desaparecer formalmente, como política de Estado ou simplesmente serem mortos por invasores que deveriam ter sido impedidos por leis que não são respeitadas.

Tudo ficou numa espécie de limbo até a ECO 92, quando acreditava-se que finalmente o mundo despertaria para impedir o suicídio ambiental. 

Como diria Jacques Cousteau: “seremos ratazanas”.

Havia um sentimento de urgência. 

Lembro de entrar ao vivo na abertura do telejornal da Radiobrás, em que, com orgulho de um jovem cidadão do mundo, declarei que o congresso planetário começaria a resolver os problemas criados por nós, humanos. E que não havia mais espaço para subterfúgios. 

Usei até a frase do comandante Jacques Cousteau, o líder da luta pela preservação dos mares e oceanos: “Se nada for feito estaremos condenando as futuras gerações a uma vida de ratazanas”. Era pra chocar, expliquei: “As ratazanas, quando na falta de alimento, tornam-se canibais.” Pois é. 

Muita conversa, muitas festas, afinal estávamos no Rio de Janeiro, e compromissos não assinados. 

De concreto mesmo a constatação oficial que o desperdício crescente de alimento, água e energia, aumentava a defasagem entre o crescimento da população mundial e a oferta de recursos naturais. 

De positivo tivemos um aumento no número de participantes, de 400 entidades e 113 países em Estocolmo para 3 mil entidades e 176 países no Rio de Janeiro. 

Dessa vez a cúpula produziu a Carta da Terra que trata das questões ligadas à busca de uma sociedade global mais justa, pacífica e sustentável, e que sugere para a população mundial uma transformação nos hábitos, com objetivo de conquistar um bom futuro para todos os cidadãos do planeta Terra. 

Como dizem: papel em branco aceita qualquer coisa, mas só a vontade faz valer o compromisso. E fomos empurrando com a barriga.

A Carta da Terra assinada em 1992 só foi ratificada em 2000. 

O ser humano parece resistir ao óbvio.

Já vivemos um futuro de ratazanas. 

O aquecimento é uma realidade. O futuro apregoado em 1992 chegou. E cobra uma fatura alta.

Guerras são travadas por recursos naturais no mundo todo.

A fome se espalha agravada pela pandemia. 

Energia, comida, comunicação e água. Essas são as questões. Não tem para todo mundo.

Chegamos a COP 26 que reuniu mais de 200 países. Teve uma cobertura maior que as outras conferências. A pandemia, o aquecimento global, o efeito estufa, fazem parte do vocabulário das pessoas hoje. 

E o Brasil?

Escrito por
Achiles Pantazopoulos