16 de outubro de 2021
O vírus no contexto da barbárie política

O vírus no contexto da barbárie política

O coletivo Jornalistasonline entrevistou Milton Blay, jornalista e escritor, mestre em Economia e doutor em Política, que atua há mais de trinta anos em Paris. O resultado: uma pausa em meio ao pandemônio para refletir profundamente sobre o momento que vivemos.

No meio do caos que se estabeleceu com o advento da pandemia da Covid-19, Milton Blay se dedicou a estudar o contexto político, social e econômico em que se instalou o coronavírus. Ao final de um ano de compilações, análises e um intenso trabalho de referenciamento, ele produziu e entrega ao público, pela editora Contexto, “O Vírus e a farsa populista”.

O livro de Blay se assemelha a uma sala, talvez uma biblioteca, da qual se pode ver, através de janelas translúcidas, as fontes que ilustram e embasam suas constatações. É um trabalho jornalístico de fôlego, claramente orientado pelos pressupostos da teoria da complexidade. Não falta nem mesmo um diálogo com Edgar Morin, que acaba de completar 100 anos de idade e é considerado por muitos como o grande pensador do nosso tempo,.

Não por acaso, o título remete a uma obra anterior do jornalista, “A Europa hipnotizada”, na qual estudou o surto de governos populistas autoritários no Ocidente. Uma das conclusões do autor: o neoliberalismo que vicejou no rastro da globalização é a explicação central para o despreparo global no enfrentamento da pandemia.

Sim, uma explicação central, porque o raciocínio de Milton Blay circula como um conjunto de espirais que, partindo de várias possibilidades, vão se tocando e produzindo respostas e novas questões, ao fim das quais se pode vislumbrar o que pode vir quando tudo isso passar: o vírus e o autoritarismo.

O Vírus e a Farsa Populista é um estudo sobre como os governos populistas autoritários usaram a pandemia para consolidar o movimento direitista no mundo e de como interessava a Trump, Bolsonaro e outros manter a sociedade aterrorizada com a doença.

Mostra como os bilionários multiplicaram suas fortunas neste período e como os pobres ficaram mais pobres. Explica como a desigualdade brasileira nasceu na escravidão e se perpetua sob a forma da servidão. Conta como a solidariedade dos profissionais de saúde e cientistas evitou e tem contido um desastre ainda maior. Fala da importância que ganhou a proposta da renda básica, nos lembra que a incerteza é a marca do nosso tempo e o terreno onde viceja o conhecimento.

No fim, traz uma análise otimista sobre a possibilidade de um mundo melhor depois da pandemia.

…………………..

Milton Blay começou sua carreira na rádio Jovem Pan, tendo integrado a equipe que ganhou o prêmio Esso de melhor programa radiofônico. Vive na capital francesa desde 1978, tendo trabalhado como correspondente da revista Visão, do jornal Folha de S. Paulo, das rádios Capital, Excelsior (depois CBN), Eldorado e do grupo Bandeirantes. Foi redator-chefe da Radio France Internationale e presidente da Associação da Imprensa Latino-Americana na França. Graduou-se em Direito pela USP e Jornalismo pela Fiam. Possui mestrado em Economia e doutorado em Política pela Université de Paris 3. É autor dos livros “Direto de Paris”, “A Europa hipnotizada”, e coautor de “O Brasil no contexto: 1987-2017”, publicados pela Contexto. Lança agora “O Vírus e a Farsa Populista”.

Escrito por
Luciano Martins Costa