18 de outubro de 2021
O dia de um homem em 2021

O dia de um homem em 2021

Outro dia o Olegna perguntou-me por que eu ficava tanto tempo em casa: “Por que não sai para espairecer, ir ao parque, essas coisas?”. O Olegna é um querido amigo, bom papo e tal.
Mas fiquei pensando, cá com os meus botões. Sim, por que não saio?
Ele tem razão, mas o diacho é que esse tal de novo coronavírus está nos impacientando até demais. Esse novo vírus tem o poder de nos pegar pela boca e tal. E daí evolui para um tal de Covid-19. Diachos!
O novo coronavírus é uma praga, mas pragas a humanidade enfrenta desde os tempos de antanho. A primeira vez que a bubônica dizimou boa parte do mundo foi ali pelo século 13, 14, sei lá! Ela chegou, inclusive, ao Brasil, ali pelo século XIX, tempos que os primeiros maquinários de imprensa aportaram no Rio.

Eu gosto do Rio de Janeiro, quem não gosta?
No começo do século XX, o prefeito Pereira Passos chamou o sanitarista paulista Oswaldo Cruz para dar um jeito na onda virótica provocada pela febre amarela, pela varíola. Pois é.
Remexendo nos meus guardados, deparei-me com cartas de amigos cariocas como Paulo Barreto, Pedro Nava, Nelson Rodrigues, Drummond…grande Drummond!
Sim, o Paulo Barreto é aquele neguinho danado de inteligente, chamado por todo mundo de João do Rio. E aqui, nessa carta, ele me diz: “Não está na hora de você nos visitar?”. João do Rio – O dia de um homem em 2020.
Como se não bastasse o Olegna, vem o João me chamar para ir à terra dele. Diachos!
Como eu disse há pouco, gosto do Rio, dos bondes e até dos ricaços exibindo aqueles Ford Bigode.
Essa lembrança traz-me uma imagem que sempre me faz rir: o Olavo (Bilac) dirigindo o primeiro carro que chegou ao Rio de Janeiro. Era do Patrocínio. Figura incrível, o José do Patrocínio! Naquela ocasião, ali pela viradinha do século, o Olavo tascou o carro numa árvore. A árvore ficou incólume, mas o carro, em pandarecos. Os dois escaparam, mas dizem que jamais quiseram saber de aventuras desse tipo.

Traumas à parte, cá estou com o Paulo tomando um choppinho no café da Rua Carioca. Rua histórica, de muitas histórias achadas nos livros do Machado (de Assis).
Pois bem, como se vê: deixei o presente pandêmico de Covid-19, o futuro sempre foi incerto e o passado é o que é.
João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto é, de fato, uma figura inesquecível.
Acordei com um sorriso e o cuco espalhafatoso dando a hora: sete.
Lá fora uma chuva gostosinha batucava na janela. A edição completa do jornal O Povo pode ser acessada somente por assinantes. E é fácil fazer isso, né não

Clique: Cem anos sem a alma encantadora de João do Rio

Escrito por
Assis Angelo