15 de outubro de 2021
Mourão é candidato

Mourão é candidato

Nesta segunda-feira (09/08), durante o programa Política & Democracia, citei de passagem conversas entre empresários paulistas sobre a “hipótese Mourão”. Dois dias depois, fazendo um retrospecto dos movimentos do vice-presidente, é possível avançar um pouco além das especulações e considerar que uma das possibilidades estudadas pelas forças políticas que financiaram a eleição de Jair Bolsonaro chama-se Antônio Hamilton Martins Mourão.

O vice-presidente da República cumpriu uma carreira respeitável no Exército, com experiência internacional em Angola e na Venezuela, além de cursos no exterior. Passou para a reserva remunerada em 2018 após dois anos no Comando Militar do Sul e imediatamente iniciou sua carreira política, assumindo a presidência do Clube Militar e ingressando no PRTB.

Atuou intensamente nos bastidores e foi praticamente imposto a Bolsonaro como alternativa à patética figura de Luiz Philippe de Orléans e Bragança, que se declara herdeiro de uma fantasiosa coroa imperial do Brasil.

Essa é a história superficial de Mourão. No subterrâneo, pode-se encontrar outro enredo, ou, como preferem alguns, outra narrativa. O vice-presidente representa, nas Forças Armadas, a linhagem de Sylvio Frota, da linha dura e dos conspiradores que foram afastados do núcleo do poder durante o processo de abertura do general Ernesto Geisel. Mas colocou sobre sua carapaça o lustro da cultura política.

Pessoalmente, carrega um ressentimento por ser, em parte, descendente de índios charrua, do Rio Grande do Sul, e já manifestou alegria porque seus descendentes são “embranquecidos”.

Suas ideias sobre a Amazônia e os povos originários não são diferentes daquelas expressas por Bolsonaro e pelo seu ex-ministro Ricardo Salles. Apenas são elaboradas em um português mais elaborado.

Mourão tem sido chamado, em grupos bolsonaristas, de “traíra”, e os filhos do presidente não escondem a ojeriza que têm a ele. Já o chamaram de “general de Lego”, em referência à sua baixa estatura física.

Ele não foi convidado ao “desfile bananeiro” promovido por Bolsonaro na terça-feira (10/08) e declarou que, se convidado, não iria. Fez chegar, aos órgãos mais conservadores da mídia que desembarcaram do bolsonarismo, que considerou aquilo “uma chanchada”. Suas posições em confronto com o titular do Planalto começam a excitar alguns “analistas” da imprensa hegemônica.

Mourão é candidatíssimo. Ele é muito mais qualificado do que Jair Bolsonaro (quem não o seria?).

Por isso, muito mais perigoso para a República.

 

Escrito por
Luciano Martins Costa