18 de outubro de 2021
FHC – Enquanto é tempo

FHC – Enquanto é tempo

Ele completou 90 anos de muita história. 

Mais uma conversa na agenda. Acomodou-se na cadeira e ajustou a distância da tela do computador. Simpático, sorriso fácil. Acha graça nas coisas que fala e que ouve do seu interlocutor. Gosta de conversar. 

Por sorte, conhece cada um dos JornalistasOnline. 

Ali estava o ex-presidente com influência na sociedade e nenhum poder. Seu partido não lha dá bola. Mas ele mantém a elegância. Sabe o significado do seu papel na história. Será sempre um grande intelectual e um político respeitado em todo o mundo.

Quando o vejo, penso sempre em Florestan Fernandes e Antonio Candido. Ele é o estereótipo do professor referência, raciocínio claro, profundidade teórica. FHC seduziu gerações. 

– Há, mas ele cometeu muitos erros políticos!  Jura? 

Bem vindo ao mundo real, concreto, implacável.  Respira e vamos tocar a vida que ela não espera. 

Hoje, o Brasil fracassou. Não é pouco. Depois de décadas de reorganização democrática, alternância de poder, políticas públicas regradas por uma Constituição histórica, derrapamos feio. A crise sanitária criminosa é o iceberg. 

Bolnonaro é o fracasso de todos nós. Do FHC, do Lula, da Dilma, do Aécio, das Janaínas, do Lavajatismo midiático, do juiz ladrão. É o fracasso coletivo. Falta agora um freio de arrumação. Olhar pra frente. 

Fernando Henrique Cardoso é um democrata. Precisamos ouvi-lo. Esbanja lucidez quando reclama a união das forças democráticas para reagir ao momento perigoso. 

O atual presidente miliciano tem impulsos e ímpetos autoritários, mas não há base para uma aventura antidemocrática. Será?

– Depende dos democratas, fala FHC. 

E falou mais. 

– Quem for democrata tem que se opor, tem que falar, ter coragem. Enquanto é tempo. É preciso resistir aos ímpetos autoritários que marcam nossa história. 

– Eu gostaria que se formasse uma grande frente democrática e que ela se expressasse na eleição. 

– Quem for capaz de simbolizar uma agregação no Brasil hoje, vai ter o meu apoio. Quem for capaz de expressar um sentimento comum.  Manter a regra de liberdade, da democracia, combater o desemprego, a pobreza, a miséria. 

– Esse cara está lá porque a maioria votou nele. Mas não tem o direito de romper as regras. Temos que gritar. 

– Goste ou não, Lula expressa muita coisa, ele simboliza, tem uma experiência vital. O que está não dá. Se não tiver alternativa, uma terceira via, eu voto no Lula. Eu vou apoiar quem tiver chance de ganhar do atual presidente. 

São falas importantes. FHC não precisaria dizer mais nada. Lição de pragmatismo. Generosidade. Hoje somos o país da morte, somos párias. 

Nos custou muito superar a ditadura, fundar, reconstruir e valorizar as instituições. FHC é um patrimônio desse país. 

Uma lucidez rara. Olha para o Brasil democrático, para o futuro, o bem comum. Rega essa planta tenra, esse compromisso civilizatório. 

Que ele inspire os desavisados. Que ele nos ajude a unir forças conta o obscurantismo e a sombra. 

Escrito por
Carlos Muanis
Participe!

7 comentários
  • Temos que esquecer FHC da mesma forma que ele mandou esquecer os livros que ele escreveu. Ele apoiou a banda podre do PSDB porque fazia parte dela. Ele representa a miséria da ética e da honestidade inclusive intelectual.

  • Carlos, você não poderia estar mais certo as o falar de FernAndo Henrique. Ele eh um estadista democratico. Me tira o sono pensando como posso me opor mais concretamente a essa excrescência que nos preside.

  • Felizmente nunca votei nele, assim não tenho do que me arrepender, apoiar o Molusco ladrão não dá! Chega de gente canalha na política! Chega!