18 de outubro de 2021
Enfim, Sig sorriu…

Enfim, Sig sorriu…

FHC e Lula juntos, unindo os punhos fechados e olhando para a câmera. Ambos usam máscaras. Ao fundo, uma parede com diversas obras de arte. Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula.
FHC e Lula se encontraram nesta sexta-feira, 21/05/2021, no apartamento do ex-ministro Nelson Jobim. Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula.

2003. No dia 2 de janeiro, Lula vira para seu antecessor, no Palácio do Planalto, e diz: “você tem um amigo aqui”.

2015. O Brasil enfrenta grave crise política e econômica. O saudoso Sigmaringa Seixas, que foi do PSDB e PT, insiste num encontro de Lula e FHC, antes do impeachment de Dilma Rousseff. Nada feito. E não era a primeira vez que Sig saía frustrado das inúmeras tentativas de diálogo, de uma aproximação.

2017. Quase dois anos da morte de Sigmaringa, FHC abraça Lula no hospital, em São Paulo, por ocasião da morte de Marisa Letícia.

2021. Enfim, Lula e FHC sentam à mesa para discutir o Brasil. Vale o axioma: a política vive de gestos. E os dois ex-presidentes têm compromisso com a democracia e, agora, um inimigo comum – o bolsonarismo.

Esfolado pelo antipetismo e com interesse no eleitorado do Centro, Lula piscou. Desta vez, o PT aplaudiu. Já FHC, que tem se associado a outras lideranças contra o obscurantismo, irritou dirigentes do PSDB.

Será que o país precisou de um Jair Bolsonaro, de sangrar ao máximo e de perder milhares de vidas, para brotar algum gesto de patriotismo? Os líderes políticos de oposição deveriam pensar também que as eleições estão longe. O Brasil, porém, pede urgência.

É fato que o PT quer surfar na onda antibolsonarista que tende a crescer na pandemia e, quem sabe, com a CPI da Covid. Independentemente dos interesses eleitorais, o diálogo entre FHC e Lula é um gesto político positivo. E a democracia agradece.

Escrito por
Cida Fontes