17 de outubro de 2021
É uma forma de resistir

É uma forma de resistir

Renato Faleiros

Ao longo da minha experiência no jornalismo e em projetos de comunicação, não me lembro de ter ficado tão preocupado com o trato que as pessoas dão à informação – e do jeito que as recebem – como nos dias de hoje.

É o pandemônio das mídias sociais, dirão todos, mirando o óbvio. Claro, mas não se trata apenas de forma, meios ou canais de informação, mas de conteúdo e veracidade, acima de tudo.

É espantoso como pessoas supostamente bem formadas e informadas – só para falar de determinado segmento social – ficam confusas, não conseguem interpretar ou se deixam manipular por notícias tortuosas, mal intencionadas e, sobretudo, mentirosas.

Os manipuladores de fakenews se aproveitam do tsunami tecnológico para semear todo tipo de desinformação a serviço de seus interesses. Não por acaso movem uma campanha sistemática contra a imprensa profissional.

Eis que, no auge da minha angústia com esse ambiente esquizofrênico, surgiu a ideia do @jornalistasonline. Fiquei entusiasmado em participar ao lado de amigos que fizeram história na imprensa (TV, jornais, rádio, revistas) e, o mais importante, com a qualidade profissional de cada integrante desse conjunto inicial.

Comecei muito cedo no jornalismo e cresci profissionalmente num dos momentos mais efervescentes da política brasileira: a transição da ditadura militar para a democracia.

O jornalismo profissional, ao longo desses anos todos – e até durante e apesar da censura – desempenhou um papel fundamental em todos os aspectos, pois foi e ainda é, o único com estrutura e capacidade para apurar, investigar, fiscalizar, denunciar, noticiar com credibilidade. Com todos os seus defeitos e equívocos humanos.

Muitos jornalistas, como eu, deixaram as grandes redações para tocar outros projetos de comunicação ou para dar lugar aos novos. O que é difícil é deixar de ser jornalista. Por isso, estamos aí de novo.

O que estamos sempre aprendendo é que, bem ou mal, o fato sempre prevalece diante das versões fabricadas ou imaginárias.

E nesta hora dramática do Brasil, não vamos fugir dos fatos e da explicação mais clara e objetiva possível da notícia.

É também uma forma de resistência.

Escrito por
Renato Faleiros