14 de outubro de 2021
Brasil terá autonomia na produção de vacinas, diz Dalcolmo

Brasil terá autonomia na produção de vacinas, diz Dalcolmo

A médica pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, a voz mais respeitada no combate à epidemia da Covid19, no Brasil, vê alguns pontos positivos na pior crise sanitária que a humanidade enfrenta desde a Gripe Espanhola, de 1918. “Nunca o voluntariado brasileiro se fez tão presente como agora. Empresários que jamais contribuíram, mesmo para causas nobres, arregaçaram as mangas. Nos Estados Unidos esse tipo de atitude é corriqueira. Espero que se torne comum também aqui entre nós. Ficou claro nessa crise sanitária que a ciência precisa de apoio”. Outro aspecto que a professora enaltece, é a transferência de tecnologia na produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) e da vacina, entre a Fiocruz e a farmacêutica Oxford-Astrazenica, da Inglaterra. “Seremos autossuficientes na produção da vacina. Instalamos uma nova planta farmacêutica na Fundação que nos possibilitará produção suficiente para abastecer todos os países da América Latina”. Aliás, nosso país tem os dois únicos laboratórios da região com essa capacidade, já que contamos também com o Instituto Butantan, em São Paulo.

Muito preocupada com a disseminação da variante Delta (indiana), que tem poder de contaminação cinco vezes maior do que a cêpa P, dominante no Brasil, a pneumologista defende a manutenção dos protocolos de saúde: uso de máscaras e distanciamento social, ainda que os primeiros indícios de arrefecimento da pandemia estejam aparecendo. A previsão mais otimista – lembrou – era de que teríamos 150 milhões de pessoas vacinadas neste mês de julho. Isso não ocorreu. Apenas 14% da população tomou as duas doses. Temos, portanto, que manter a guarda em pé. O inimigo é poderosíssimo. “O importante, o que interessa, no momento, é ter muita vacina, quaisquer que sejam elas. É deplorável verificar o efeito “sommelier”, em que indivíduos escolhem essa ou aquela marca de vacina. Aliás, nem devemos cogitar essa comparação sobre qual é melhor. A ordem, a necessidade premente, é cobrir o máximo possível de pessoas, com o imunizante que estiver disponível”, diz ela.

A Dra. Margareth alertou-nos, ainda, sobre o perigo que representa o desmatamento indiscriminado da Amazônia. Ele provoca, entre tantos males, o êxodo desordenado de animais, vetor principal da doença. No caso atual, está comprovado que a Covid19 foi transmitida por morcegos, já que o consumo dessa proteína é comum na Ásia, local em que a pandemia se originou. “A floresta brasileira é o maior celeiro mundial de coronavírus, por abrigar uma infinidade de vida animal em sua fauna diversa. Seria plausível dizer, não tenham dúvidas, que nosso país pode ser o responsável por uma nova epidemia, da mesma proporção da atual, se não coibirmos a devastação do bioma . A exploração alucinada e desordenada, com os mais espúrios interesses, dessa região, pode provocar nova catástrofe. Estou falando em plausibilidade biológica, uma possibilidade real. Não se trata, aqui de elocubração de cientista”. Para reforçar a tese, Dalcolmo citou o contágio animal-homem, que se deu no surto de febre amarela urbana no país. Ele ocorreu em fevereiro de 2018 com o desmatamento das bainhas de vegetação que circundam as metrópoles. Os animais migraram e levaram com eles o vírus.

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Escrito por
Laerte Rimoli