18 de outubro de 2021
Brasil perde uma voz moderada e democrata

Brasil perde uma voz moderada e democrata

A morte do Bruno Covas é uma tristeza dupla. Morre um político jovem, num país sem renovação política. Herdeiro do avô Mario Covas, que foi deputado cassado pela ditadura, depois prefeito de SP, governador e candidato à presidência.

Mario deixou uma imagem de compromisso com a coisa pública, decência e ética. Bruno tinha tudo para crescer nessa linha, era uma voz que poderia resgatar no PSDB sua vocação social democrata. O partido perdeu-se nos últimos anos, dando espaço para extrema direita ocupar seu lugar no cenário político.

Bruno político, representava uma esperança a mais contra o autoritarismo. Uma voz moderada, mas um democrata com raízes sólidas. O Brasil perde muito. Um jovem democrata parte, interrompendo sua trajetória, nesses tempos de obscurantismo, ódio, intolerância e insanidade.

Bruno e Guilherme Boulos protagonizaram uma campanha à prefeitura de São Paulo, civilizada, discutindo propostas e soluções.

E a tristeza se revela também no lado humano. Morre o pai amoroso, o pai do Tomás, capaz de levá-lo na final da Libertadores para ver o seu Santos, mesmo já debilitado pela doença. Um gesto bonito, um gesto de pai amoroso. Uma despedida antecipada.

Fica em nossa memória uma das últimas imagens, pai e filho no hospital de mãos dadas, no amor, carinho e amizade. Não se deve morrer aos 41 anos. É triste demais. Fica aqui nossa homenagem ao Bruno e à família Covas, de todos nós do Jornalistas Online.

Escrito por
Carlos Muanis