18 de outubro de 2021
Aldo Rebelo: temos que buscar o centro não-geométrico.

Aldo Rebelo: temos que buscar o centro não-geométrico.

“Nas crises políticas devemos agir como numa tempestade em alto-mar. Não se deve olhar para o casco do navio, mas para a linha do horizonte”. A declaração é do ex-presidente da Câmara e ex-ministro da Defesa, Aldo Rebelo. Com sua voz pausada, falando em esperança apesar do momento difícil que o país atravessa, ele concedeu uma entrevista, na quarta-feira, 16 de junho ao coletivo Jornalistas Online. “Vejo o movimento atual como uma desorientação que produziu essa figura que está no poder. É um lapso, vai passar”, disse Aldo.

Ele defende uma aliança das forças heterogêneas do país para vencermos o caos. “Os integrantes do atual governo são portadores de impulsos desagregadores: ódio e divisão. Dividem a sociedade usando símbolos da pátria como a bandeira e as cores nacionais. Isso devia ser proibido. O que foi feito para unir não poderia ser usado para desagregar”. Ele vê a relação do presidente da Bolsonaro com as Forças Armadas dentro do mesmo diapasão. “Desde quando foi expulso do Exército, por mau comportamento, ele sempre agiu como sindicalista. Vocaliza as aspirações de cabos, soldados e sargentos. Não é o representante do Alto Comando”. Aldo criticou a intromissão do presidente para impedir que o general Pazuello, da ativa, fosse punido por misturar a farda com política.

Apesar disso, o ex-ministro acredita no isolamento do presidente por entender que ele não reune energia e força suficientes para oferecer risco real ao processo democrático brasileiro. Na opinião dele, Bolsonaro está muito preocupado com a sentença do Tribunal de Haia, que pode condená-lo. “A CPI pode reunir elementos que dêm suporte à condenação dele por crimes contra a humanidade. O que se busca é a materialidade destes atos e os 500 mil mortos na pandemia são um indício”

Aldo Rebelo afirmou, ainda, que o Estado é a alavanca para o desenvolvimento, especialmente em setores como Ciência, Educação, Infra-Estrutura. Defende, ainda, a tese contida no seu último livro, “O Quinto Movimento, propoostas para uma obra inacabada”. Ele crê na terceira via para as eleições de 2022, que evitaria a polarização Bolsonaro-Lula, não como uma invenção de uma agenda social e liberal. “Temos que partir para uma composição ampla, rejeitando essa dicotomia que está posta”. Veja no site jornalistasonline.org a íntegra da entrevista que concedeu a Sylvia Jardim Carlos Muanis, Luciano Martins Costa e o jornalista e escritor Eduardo Reina, convidado do coletivo para essa conversa com o ex-ministro.

Escrito por
Laerte Rimoli