18 de outubro de 2021
A frágil democracia está ferida de morte

A frágil democracia está ferida de morte

Carlos Muanis

Ainda lembro a batida no teclado da velha Linotype. A frase fundida em chumbo, compondo colunas e páginas. Criança, ficava horas vendo aquela máquina gigante, um verdadeiro milagre. A informação gerada, a notícia, a opinião, a dor, o sonho. Ainda sinto o cheiro do papel prensado.

A família Muanis foi pioneira em Comunicação no interior de São Paulo. Fez história em Rio Preto desde os anos 50. Minha infância foi marcada pela magia do rádio, jornal e depois da TV.

Em São Paulo, no começo da redemocratização dos anos 80, virei sociólogo e ativista político. Mas olhando para trás, vejo que trabalhei minha vida inteira com jornalistas e comunicação. Talvez tenha herdado um pequeno fio desse DNA familiar. Talvez.

O convite para participar do Jornalistas Online me enche de alegria e me desafia. Muito. A companhia dessas feras me dá uma imensa responsabilidade. Vou ter que correr para alcançá-los.

Jornalistas Online estava em falta no Brasil. Não é frase. O país derrete na insensatez absoluta. As redes estão contaminadas por inverdades. Chão minado. Estamos em bolhas, somos múltiplos monólogos. Mas é preciso mais. Refletir, perguntar, pensar e responder, com responsabilidade.

A frágil democracia está ferida de morte. Não se sabe ainda a profundidade do golpe. Ferida aberta. É urgente resgatar a credibilidade do debate, a informação responsável.

Não podemos aceitar o aumento da miséria entre nós. Uma pandemia que escancarou problemas estruturais, históricos, nunca resolvidos. Não há projeto, não há estratégia, estamos sem bússola e sem políticas públicas que respondam ao desastre social. O Brasil está febril. Aqui, vamos dar nossa contribuição com liberdade e credibilidade. Não é hora de silêncios.

Escrito por
Carlos Muanis