18 de outubro de 2021
A fábrica de mentiras continua firme e forte

A fábrica de mentiras continua firme e forte

Foto do deputado federal Osmar Terra durante depoimento à CPI da Pandemia em 22 de junho de 2021. Ele é careca e usa óculos, veste terno escuro com camisa clara. Está com os braços abertos em posição de questionamento. à frente da imagem, a palavra 'luto'.
Osmar Terra distorceu dados, insistiu em informações falsas – as mesmas que continuam circulando nas redes bolsonaristas – e desprezou as evidências científicas sobre a pandemia. Foto: Orlando Brito

O depoimento do deputado Osmar Terra (MDB-RS) na CPI da Covid foi mais uma prova de que a fábrica de fake news do bolsonarismo continua funcionando a todo vapor. Na linha preferida do presidente da República, Terra distorceu dados, insistiu em informações falsas – as mesmas que continuam circulando nas redes bolsonaristas – e desprezou abertamente as evidências científicas sobre a pandemia.

A CPI abriu agora uma nova frente, a do combate às fake news no âmbito da luta contra o coronavírus. Os senadores convocaram para depor os diretores do Facebook, do Google e do Youtube no Brasil. A intenção é pressionar para que essas empresas sejam coerentes com a atitude que tomaram em relação a Donald Trump nos EUA, banindo Jair Bolsonaro das redes sociais por frequentemente espalhar informações falsas sobre a pandemia e propagandear remédios de ineficácia comprovada. 

Mas não é só isso. A fábrica de fake news bolsonarista vem intensificando a disseminação de teses conspiratórias na área política. A principal delas é a de que as urnas eletrônicas estão preparadas para fraudar a reeleição do presidente. A ofensiva midiática mentirosa dá suporte a dois movimentos: pressionar pela aprovação da volta do voto impresso no Congresso (este sim um instrumento suscetível a fraudes, como no passado) e bombardear o STF, especialmente o ministro Luís Roberto Barroso, que  acumula o cargo de presidente do TSE. 

O mutirão para entupir as redes sociais de informações falsas e distorcidas ganhou ênfase, também nas ultimas semanas, com a divulgação, pelo próprio Bolsonaro, de um relatório atribuído ao Tribunal de Contas da União (TCU) afirmando sem provas que 50% das mortes por Covid-19 não teriam sido causadas pelo vírus. O próprio TCU desmentiu a existência do documento, afastou o funcionário que o produziu (por sinal bolsonarista amigo dos filhos do presidente, que coincidência!) e abriu investigação interna. O funcionário está convocado pela CPI da Covid para explicar a lambança aos senadores. 

Como se não bastassem os absurdos contados sobre a urna eletrônica (que desde os anos 90 não registrou qualquer episódio de fraude) e outras teorias conspiratórias montadas na produtiva indústria de fake news do Planalto, os bolsonaristas continuam atacando a China nas redes, agora com a lenda de que  o vírus foi fabricado em laboratórios comunistas. 

Tudo isso só tem um objetivo: pavimentar o caminho eleitoral de Bolsonaro rumo a 2022. Os adeptos do capitão acreditam que irão repetir o feito de 2018, quando ocuparam as redes sociais com a mesma tática de espalhar boatos e mentiras, e em grande parte tiveram êxito na missão de enganar milhões de eleitores desavisados. 

Os tempos são outros e há vários fatores jogando contra Bolsonaro. Mas as fake news continuam firmes e fortes. 

Escrito por
Renato Faleiros