24 de outubro de 2021
12/09, quem vai?

12/09, quem vai?

Por que muitos petistas, socialistas e progressistas em geral resistem a participar das manifestações anti-Bolsonaro do dia 12/9? Pelo que tenho lido, são muitas as justificativas, que vão do ressentimento pelo processo de demonização da esquerda por parte dos chamados liberais, que organizam o evento, até argumentos do tipo “quem pariu Mateus que o embale”.

Mas é conveniente ir além dessa superfície. Por exemplo, questionar o que são, o que representam as organizações que lideram esse movimento? São, majoritariamente, as forças econômicas que, a pretexto de “renovar” a política, promoveram o maior retrocesso observado na história do país desde a redemocratização. Todas as siglas que se juntam a essa pretensa demonstração de popularidade são responsáveis pela implantação do Energúmeno e seus asseclas no Planalto.

E o que é o fenômeno Bolsonaro? – É a clássica mão do gato, com a qual o projeto de experimentação social conhecido como neo-liberalismo tentou se apropriar dos bens do Estado. E o que resta a essas forças econômicas dissimuladas em “renovação política”? – resta abrigar o vice-presidente na cadeira do Executivo, com o gabinete desinfetado dos bolsonaristas e enfeitado com as faces limpinhas e cheirosas do mercado.

Com isso, bastará empenhar todos os recursos num ciclo de recuperação acelerada, e mesmo com o nariz tapado, contribuir para refazer os melhores programas sociais já experimentados por aqui. Então veremos os boçais de sempre abrirem seus sorrisos hipócritas nas telas, anunciando a redenção do Brasil. A rigor, não faz a menor diferença colocar 200 mil ou 2 milhões de pessoas nas ruas de São Paulo ou do Rio, vestidas de branco ou verde-e-rosa.

O jogo agora é de gabinetes. Derrubar Bolsonaro e patrocinar Mourão é a única chance de o campo conservador criar uma candidatura viável para 2022. Essa reflexão embute uma preferência pela permanência do Energúmeno em Brasília? – Claro que não, mas ignorar os crimes e a cumplicidade do vice-presidente seria a comprovação de que o campo conservador está, na verdade, tentando salvar os dedos para recuperar os anéis mais tarde.

Escrito por
Luciano Martins Costa