20 de maio de 2022
Além do Poder

Além do Poder

Além do Poder

Um dos filmes do momento é “Já que ninguém me tira para dançar”, um formidável documentário sobre Leila Diniz, atriz que brilhou intensamente no Brasil na década de 1960 e 1970. É dirigido pela amiga e parceira das telas Ana Maria Magalhães. Por isto, achei oportuno abordar o tema ao encontrar em meus arquivos essa raríssima fotografia. 

1970. As atrizes Leila Diniz e Ana Maria Magalhães e o diretor Ruy Guerra foram os grandes premiados no Festival de Cinema de Brasília com o filme “Os deuses e os mortos”.  

Ana Maria trabalhou em diversas novelas e atualmente é diretora de cinema e toca vários projetos culturais. Hoje, mora no Rio. Ruy ganhou o grande prêmio do festival naquele ano. Depois, casou-se com Leila, com quem teve uma filha, Janaina. Já Leila – que hoje teria 77 anos – faleceu em um desastre aéreo em Nova Deli, quando voltava de uma viagem à Austrália, em junho de 1972.  

O Brasil vivia um período sombrio de sua história, com os direitos democráticos restritos, tortura a presos políticos e censura à imprensa, à música, ao cinema e ao teatro. O Festival de Brasília era um dos raros espaços para debates e contestação ao regime militar. E Leila Diniz era não somente uma estrela do cinema mas, sobretudo, uma voz em defesa da liberdade e dos direitos das mulheres. Estava na linha de frente, ao lado de outros artistas, dos atos e passeatas contra o governo da época.  

A primeira vez que cobri o festival foi em 1967, quando o grande vencedor do Troféu Candango foi o longa-metragem “Proezas do Satanás na Vila do Leva e Traz”, de Paulo Gil Soares. Eram raros os eventos culturais em Brasília naquela época e o festival era agenda que ninguém queria perder. No meu caso – um jovem de 17 anos começando no jornalismo no diário carioca Última Hora – era uma oportunidade de fotografar personagens bem diferentes dia-a-dia do poder e que tinha como cenário de trabalho, o Palácio do Planalto e o Congresso.  

À noite, fui fotografar a movimentação dos diretores, atrizes e atores antes da sessão de projeção dos filmes. Mas sabia que dificilmente uma imagem formal da festa iria chamar a atenção dos leitores. Por isso, na manhã seguinte, resolvi ir ao quartel-general dos artistas, o Hotel Nacional. Por volta das dez horas, surpreendi-me ao ver essa cena aí, de Leila Diniz, Ana Maria Magalhães e Ruy Guerra bem à vontade na piscina, sob o sol da Capital. 

https://prensa.li/jornalistasonline/alem-do-poder/

Escrito por
Orlando Brito