20 de maio de 2022
A mente mente?

A mente mente?

A graduação em Jornalismo nos leva ao vínculo constante com “dados e fatos”. Mas, independentemente de minha formação, gosto muito de fazer análises com o apoio de informações concretas, parece que dá sentido à vida.

Quando pensei neste artigo, obviamente coloquei meu lado investigadora para funcionar. Até porque, não sou especialista em saúde – mas, sendo ser humano, me dou o direito de abordar o assunto! Me deparei com um conteúdo muito interessante produzido a partir de uma parceria entre SGB (Social Good Brasil), Instituto Janeiro Branco e Grupo Mulheres do Brasil. 

O texto inicia assim: “Ao começar a ler esse texto você pode estar se perguntando: qual é a relação de Educação em Dados com Saúde Mental? Minha resposta é: tem tudo a ver! Precisamos aprender a ler e analisar os dados sobre saúde mental para entendermos a importância de cuidar da mente e da vida”.

Só este trecho já me deixou impactada. Falar sobre saúde mental era há pouco tempo tabu, considerada “conversa para louco”. Psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas, terapeutas e demais profissionais que amorosamente ajudam a cuidar de “nosso eu interno” eram relegados ao lugar de quem cuida “de gente doida”. Felizmente, pessoas com problemas psíquicos podem contar com essa gama de cuidadores, no entanto, já não precisamos mais esconder o luxo da terapia. Pois é, um tratamento psicológico ou terapêutico era considerado luxo, agora, cada vez mais, encarado como necessidade. 

O conteúdo do qual eu falava faz um resumo bem interessante sobre a importância dos dados para uma cultura de saúde mental. Para a psicóloga Fernanda Bornhausen (que assina a matéria): “Desenvolver três das competências de Educação em Dados (ler, analisar e tomar decisões baseadas em dados sobre saúde mental) pode fazer toda a diferença na sua vida pessoal e profissional.”

Fazendo um paralelo com minha profissão, estas três etapas também são muito pertinentes aos projetos de comunicação. Todo o contexto da pandemia provocada pelo novo coronavírus está nos dando uma aula, muitas vezes forçada e sofrida, sobre a importância de considerar dados sobre saúde mental em nossos projetos. Afinal de contas, nos relacionamos e nos comunicamos com pessoas. 

Pesquisas sobre saúde mental

Os dados e evidências de 2020 não deixam dúvidas de que os problemas de saúde mental são uma nova pandemia. A ansiedade, o estresse e a depressão passaram a ser vistas em pessoas próximas e distantes. Os dados mostram o aumento de casos no Brasil. O mundo está abalado emocionalmente e em nosso país não é diferente. 

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde no final de 2020 detectou ansiedade em 86,5% dos indivíduos pesquisados, transtorno de estresse pós-traumático em 45,5% e depressão grave em 16% dos participantes do estudo.

Sim, 86,5 % dos pesquisados em 2020 relataram sintomas de ansiedade e 45,5% estavam vivenciando estresse pós-traumático. Já pesquisa do Ibope Inteligência de 2020 mostrou que dobraram os casos de ansiedade em mulheres em vários estados, apontando que as mulheres ficaram mais ansiosas boa parte do tempo durante a pandemia. Houve também um aumento no uso de medicamentos tarjados e naturais de 38% e 29%, respectivamente.

Uma pesquisa da UERJ sobre o comportamento dos brasileiros na quarentena aponta que casos de depressão dobraram entre os entrevistados, sendo que casos de ansiedade e estresse aumentaram 80% nesse período.

Outra pesquisa, realizada pela UFRGS, aponta que 68% da população tem sintomas depressivos, enquanto 80% dos brasileiros se tornaram mais ansiosos em meio à pandemia. 

Se você está se sentindo ansioso e/ou estressado, a partir destes dados é possível afirmar que não está sozinho. Entender-se já é um primeiro passo importante para tomar decisões sobre a sua saúde mental baseadas em dados. 

https://prensa.li/jornalistasonline/mente-mente/

Escrito por
Valéria Lapa